1. Por seu “impressionismo”, refiro-me a seu relato não-lógico de certos fenômenos na ordem exata de sua percepção, antes que tenham sido distorcidos até a inteligibilidade, para que se adaptem a uma cadeia de causa e efeito. (…) O que nos faz lembrar da definição de Schopenhauer do procedimento artístico como “a contemplação do mundo independentemente do princípio da razão”. Nesse contexto, é possível pensar na relação de Proust com Dostoievski, que expõe seus personagens sem explicá-los. A isto poderia objetar-se que Proust não faz praticamente nada além de explicar seus personagens. Mas suas explicações são experimentais e não-demonstrativas. Ele os explica para que possam aparecer como realmente são — inexplicáveis. Ele os inexplica.
    – Samuel Beckett - Proust

    Cada parágrafo deste caraglio de livro é mais citável que o outro. 

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